
leia a entrevista na íntegra
"Tem gente que topa alianças que aparentemente justificam tudo. Porexemplo: para o PCdoB não é nada extraordinário na próxima eleição,
agora em 2010, estar no palanque com Amazonino. Eu não tenho essa cara
de pau, eu tenho vergonha na cara", foi o que disse o vereador Marcelo
Ramos, hoje no PSB, e que mantém uma disputa com o PC do B, seu antigo
partido, que busca retomar o mandato do vereador por conta de
infidelidade partidária.
Blog - Entre o sr. e o
PCdoB, está havendo uma desavença em torno do seu mandato e quem o
acompanha no twitter observa suas críticas contra não apenas o seu
antigo partido, mas também ao deputado estadual Eron Bezerra e à
deputada federal Vanessa Grazziotin. Pode falar mais sobre isso?
Marcelo
Ramos - Nós estamos em campos opostos, depois de 16 anos de militância
no PCdoB. O PCdoB hoje compõe o governo Braga. O PCdoB de hoje, por
questões conjunturais, de aliança nacional, não faz oposição ao
prefeito Amazonino Mendes, e eu acho que o prefeito Amazonino Mendes
representa o que há de mais atrasado.
Blog - Mas o
deputado Eron, hoje licenciado para ser titular da Secretaria de
Produção Rural, sempre pensou dessa forma, como demonstrava em seu
mandato.
Marcelo Ramos - Mas eles mudaram, eles mudaram. O
deputado Eron, no primeiro mandato dele, era o mais ferrenho opositor
do governador Amazonino.
Blog - No twitter, o sr. diz
que o Eron está a serviço do prefeito Amazonino para tentar tirar o seu
mandato. O sr. acha isso mesmo?
Marcelo Ramos - Olha, eu
aceitaria qualquer coisa do PCdoB. Acho que o PCdoB fez uma escolha,
uma opção política , escolheu um caminho. Quem vai julgar se está certo
ou errado é a história e a população, no momento eleitoral de renovar
ou não os mandatos do PCdB. Já julgou em 2008, quando me deu o dobro de
votos da candidata deles, que era a vereador Lúcia Antony. Então, o
primeiro julgamento já foi feito em 2008, vamos ver agora em 2010.
Agora, eu não posso entender de outra forma. No momento em que eu,
junto com outros vereadores, levantamos a voz, endurecemos as críticas,
não ao prefeito Amazonino em si, mas aos erros que ele comete na
administração pública, o PCdoB quer calar a minha voz na Câmara. A
pergunta que todo mundo faz é: a quem serve a tentativa de me tirar da
Câmara neste momento? Essa é a pergunta.
Blog - Mas essa
briga não é antiga, por causa da fidelidade partidária? Ou sr. não
considera que houve infidelidade partidário quando saiu do PCdoB para o
PSB?
Marcelo Ramos - Eu acho que são duas coisas. Primeiro,
houve infidelidade partidária do PCdoB com o seu programa. Porque, como
é que pode o mesmo programa justificar uma oposição tão ferrenha ao
governo Eduardo Braga no primeiro governo e um alinhamento tão submisso
no segundo governo?
Blog - Mas não tem o fato de que o
PCdoB apoiou o governador no segundo mandato? Mas se o PCdoB apoiou
formalmente o governador na reeleição, não poderia participar do
governo?
Marcelo Ramos - Primeiro, o PCdoB não apoiou
formalmente o Eduardo Braga. O PCdoB não era da coligação do governado:
tinha uma coligação independente, sem indicação ao governador. Aí estou
pegando o aspect formal. Agora, sim, tem gente que topa que alianças
justificam tudo. Por exemplo: para o PCdoB não é nada extraordinário na
próxima eleição, agora em 2010, estar no palanque com Amazonino. Eu não
concordo. Acho que a minha linha de pensamento, pela historia que eu
construí, e eu não quero negar a minha historia, eu não quero ir para o
palanque com quem me agrediu, com quem me negou o direito de falar,
negou o meu direito à democracia. O PCdoB, por questões conjunturais
que não cabe a mim julgar, cabe à população julgar no tempo certo, fez
uma opção pragmática, de ocupar espaço, de ocupar cargos, de ter
espaços de poder no governo. É uma opção do PCdoB, é natural. Agora, o
fundamental do meu processo com o PCdob não é isso. O fundamental do
meu processo com o PCdoB é a grave discriminação pessoal a que fui
submetido enquanto estive no partido. Eu só fui líder do Serafim
(Corrêa, ex-prefeito) na Câmara, porque o PCdoB autorizou. Só fui
secretário do IMTU (hoje IMTT) do Serafim, porque o PCdoB autorizou. Aí
o partido me faz líder, me faz secretário e quando chega na eleição,
pede para eu ser oposição ao prefeito de quem fui líder e secretário .
Eu não tenho essa cara de pau, eu tenho vergonha na cara. E depois
disso, o que aconteceu? O PCdoB, que decidiu formalmente, na sua
convenção, não coligar com ninguém, com o voto de todos os filiados,
não coligar com ninguém, uma semana depois deu uma coletiva de apoio à
candidatura do vice-governador à prefeitura de Manaus. Ousou mais:
colocou a cara e o logo (logotipo) desse candidato que não foi aprovado
na convenção, no material de todos os candidatos a vereador. E como eu
não topei, não recebi nenhum material, não recebi um centavo do PCdoB
durante a minha campanha inteira. E depois de eleito, ainda passei pelo
constrangimento de, como único vereador do PCdoB, não ser nomeado líder
do partido na Câmara. Então, o principal da disputa jurídica é isso: é
a grave discriminação pessoal. Agora, quem vai decidir se existiu ou
não,não sou eu. Eu tenho as minhas convicções, o PCdoB tem as dele, o
juiz vai ouvir as testemunhas e o TRE (Tribunal Regional Eleitora) ,
coletivamente, vai decidir. Eu estou muito tranqüilo, porque acho o
seguinte: o mandato não vale a minha história. Se eu tivesse certeza de
que perderia o mandato, eu teria saído do PCdoB do mesmo jeito. Porque
eu não iria fazer o mandato amarrado pelos interesses e pelos acordos,
legítimos ou não, que o PCdoB fez. Então, a discussão não foi de
mandato. O mandato está sendo discutido agora. A decisão de sair foi
decisão de homem, de gente, de uma pessoa que não aceitava mudanças na
linha política do partido.
Blog - O sr. saiu do PCdoB
no dia 23 de agosto de 2009. Nessa data já estava em vigor a
determinação do Supremo sobre a fidelidade partidária, de que o mandato
pertence ao partido.
Marcelo Ramos - Já, e eu tinha plena
consciência dos riscos que eu corria. Não está acontecendo nada de
extraordinário. O PCdoB tinha direito de reivindicar. Agora, não cabe
nem ao PCdoB e nem a mim, dizer se o mandato é meu ou é deles. Isso vai
caber à Justiça.
Blog - Na verdade, não foi o PCdoB que
entrou com o processo para reaver o mandato, mas a segunda colocada,
Lúcia Antony. Qual a diferença?
Marcelo Ramos - Esse é um
elemento, inclusive, importante no processo. O PCdoB não pediu o
mandato. Ora, se o dono do mandato é o PCdoB, quem teria de pedir o
mandato era o PCdoB. O Ministério Público Eleitoral, que poderia pedir
o mandato, por ser o segundo legitimado, não pediu. E aí a vereadora
Lúcia Antony pediu o mandato. Quem não quis que a Lúcia Antony não
fosse vereadora, não fui eu. Até eu queria que ela fosse reeleita,
seria mais um na oposição.
Blog - Para ficar claro: o que diz a lei sobre quem pode pedir o mandato em caso de infidelidade partidária?
Marcelo
Ramos - A lei diz que o partido pode pedir nos primeiros 30 dias após a
desfiliação e se o partido não pedir, nos 30 dias subsequentes, pode
pedir o Ministério Público ou o suplente. No caso, a primeira suplente.
O processo foi ajuizado pela primeira, pelo segundo e pelo quarto
suplente. Eu apresentei uma preliminar, pedindo que excluísse o segundo
e o quarto, que não tinham legitimidade, o juiz excluiu, então o
processo hoje é da Lúcia Antony. Estou muito tranqüilo: a minha vida
política não se reduz a um mandato.
Blog - O que o sr. fará se perder o mandato?
Marcelo
Ramos - Olha, obviamente que se o TRE decidir, eu vou recorrer. Agora
se, numa hipótese absurda, por conta do processo, porque a Justiça tem
direito tem de decidir como achar de acordo com as provas dos autos, eu
sairia da Câmara de cabeça erguida. E ela entraria de joelhos. Porque
ela teve metade dos votos da eleição passada. O povo desaprovou a Lúcia
Antony como vereadora. O povo disse que não a queria na Câmara. E como
ela não teve o voto do povo, ela quer ganhar no tapetão.
Blog
- O sr., no dia homenagem ao PCdoB, ano passado, na Assembleia
Legislativa, chegou a pedir desculpas ao deputado estadual Eron Bezerra
e à deputada federal Vanessa Grazziotin, pelo que havia falado durante
a campanha eleitoral. O sr. já declarou que tudo o que aprendeu de
política foi no PCdoB. O que, de fato, aconteceu que o decepcionou a
ponto de sair do partido?
Marcelo Ramos - Foi a decisão mais
dolorosa da minha política de militância. Porque, para mim, política
não é o tempo que eu tive mandato. Sou um militante político desde
1991, quando fui presidente do grêmio da minha escola. Então, a decisão
mais dolorosa que eu tomei na minha vida política foi a de sair do
PCdoB. E aquela manifestação na Assembleia Legislativa, foi uma
manifestação de reaproximação. Porque eu não queria negar a minha
história, eu não queria abandonar onde eu me forjei como militante. Foi
com a Vanessa e com o Eron que eu aprendi muita coisa. Agora, não com
essa Vanessa e não com esse Eron. Mas com aquela Vanessa e aquele Eron
que não existem mais. Aquela Vanessa e aquele Eron, morreram. Morreram
para a história. Surgiu um novo. Se o é melhor ou pior, não cabe a mim
julgar. Agora, não dá para dizer que o Eron e a Vanessa de hoje são os
mesmos de quando eu trabalhava na Assembleia com o Eron, quando eu
trabalha na Câmara ,com a Vanessa.
Blog - Então, foi uma grande decepção?
Marcelo
Ramos - Sim, e uma decisão dolorosa. Agora, isso não me faz negar a
minha história. Eu tenho o maior orgulho de ter estado por 16 anos no
PCdoB. Ali, eu passei os melhores anos da minha juventude, ali eu
aprendi muito do que eu aplico hoje na minha vida política, tenho o
maior orgulho da grande maioria dos militantes do PCdoB, que é gente
dedicada, gente apaixonada pela luta política, gente que se doa para
tentar construir um mundo melhor. Agora, há uma cúpula que decide, que
comanda, que manipula tudo, que mudou a linha política do partido. Mas
é uma opção do PCdoB, eu não tenho mais nada com o PCdoB, a minha
história agora está em outro caminho. Ouço coisas assim, que eu
estranho, que me fazem refletir: os caras apoiam o governador Eduardo
Braga, apoiam disfarçadamente o prefeito Amazonino Mendes e até o
Sarney eles apoiaram. O Eron fez um artigo elogiando o Sarney (José
Sarney-PMDB/AP, presidente do Senado) . Aí, o argumento da Lúcia contra
mim é dizer que nós somos aliados do PSDB. Como é que pode, um partido
que apoia até o Sarney reclamar do PSB por ser apoiado pelo Arthur
Virgílio (senador do PSDB/AM)? É muita cara-de-pau, né?
Blog - O sr. é pré-candidato a deputado estadual?
Marcelo
Ramos - Essa é uma decisão do meu partido. Há algumas discussões nesse
sentido. Mas também na possibilidade, e os jornais já especularam, de
eu compor a outra vaga do Senado. Mas isso vai ser decidido na hora
certa. Estou muito tranqüilo, procuro me dedicar ao exercício do meu
mandato na Câmara, procuro honrar as pessoas que confiaram em mim,
votaram em mim. É isso que move a minha vida. A disputa, lá na Justiça
com o PCdoB, é um negócio paralelo que é menos importante do que a cada
dia que eu vou para a Câmara, a cada dia que eu exerço o meu mandato.
Blog - Se o sr. pudesse escolher entre ser candidato a deputado estadual e senador, qual seria sua decisão?
Marcelo
Ramos - A minha decisão é coletiva, porque eu entrei recentemente no
PSB, então não dá para eu quere ocupar vaga de quem já está lá há muito
tempo, de quem constroi o partido há mais tempo. Vou fazer o que o
partido achar melhor. Obviamente, se eu disputar a eleição para o
Senado, é algo que me projeta para a frente, me coloca num debate com
os grandes quadros da política manauara, como o governador Eduardo
Braga, com o senador Arthur Virgílio, com a deputada Vanessa. Então, me
projeta para vôos maiores, lá na frente. Agora, é óbvio que uma eleição
para deputado estadual, é uma eleição mais possível. Claro que em
eleição você entra para ganhar ou para perder. Mas não dá para negar
que uma eleição para deputado estadual é mais possível do que uma
eleição para o Senado.
Blog - Não se pode negar que o
sr. tem grande visibilidade política, pela forma como vem exercendo seu
mandato, como vereador de oposição. Mas há quem veja em suas atitudes
algo muito semelhante com o deputado Eron Bezerra, agora licenciado
para ser titular da Secretaria de Estado da Produção Rural. O sr.
concorda?
Marcelo Ramos - É verdade. Eu repito isso: eu tenho
orgulho de ter uma história parecida com o que Eron foi no passado. E
tenho muita esperança de que eu não termine os meus dias como ele está
terminando os dele.
Valeu Marcelo,foi a melhor atitude que deverias ter tomado ao desfiliar-se do PC do B.H,oje não existe a bandeira vermelha, mas sim abandeira amarela de sujo que esta inundando o nosso Estado.Eron e Vanessa estão a serviço de quem da mais.Não mais dos justos como pregava antes.
Enviado por: Elias Costa-Maués as 23:43 23/03/2010Lí toda sua entrevista, gostei muito de suas argumentações, estou contente por ter votado em você para vereador. Você não tem que ter medo ou vergonha do que está acontecendo. cabe ao TRE dizer se houve infidelidade, concordo. Mas povo já julgou e condenou a Lucia Antony não lhe elegendo, que ela tente outra vez o julgamento pular, nas próximas eleições, se tiver coragem e mudar de postura política ela e seu partido. Esta não é a primeira vez que ela é desaprovada pelo povo, não tem novidade nenhuma nisso. Estamos esperando a decisão do PSB e sua para a campanha. Um grande abraço meu amigo.
Enviado por: Francisco Palheta as 10:13 15/03/2010